O Bairro Alto em festa quer dizer que não morre
Nasceu em Dezembro de 1513 e está a festejar 498 anos. A primeira casa, ainda como Vila Nova de Andrade, está testemunhada num tabelião de Lisboa. Na manhã do passado domingo o Conservatório Nacional teve dois cantores a darem a boas vindas a um grupo de moradores do Bairro Alto que ainda resistem. A orquestra do Conservatório, sob a direcção de Alexandre Branco, executou peças de Mozart, Beethoven e Mendelssohn. O concerto para piano e orquestra de Mozart teve como solista Bárbara Costa. Foi uma abertura solene e cosmopolita para o aniversário de um bairro onde sempre se cantou o Fado, se fizeram e ainda fazem livros e jornais, onde João Garcia de «Mau tempo no canal» de Vitorino Nemésio passou as suas angústias à espera da carta de Margarida e onde Molero viveu as suas aventuras nas ruas perto do «Farta Brutos» e nas páginas de Dinis Machado. Hoje o Bairro Alto tem os seus filhos cada vez mais longe. Uns em Londres, outros em Dublin, outros a caminho da Austrália. Um ex-morador desabafa: «Se não fosse ter um bebé pequeno, também eu emigrava!»
O segundo andamento da «Eroica» de Beethoven mais parece uma marcha fúnebre. Solene embora mas triste como um epitáfio. Havia um Bairro Alto cheio de vida mas os jornais fecharam quase todos, os editores foram-se embora, os alfarrabistas também estão de partida, muitos escritórios fecharam e procuram outros lugares da cidade onde a EMEL ainda não fez a sua terra queimada. Entre a emoção do concerto final de Mozart com Bárbara Costa ao piano, firme, atenta, suave, tirando do teclado todas as modulações possíveis da partitura, fica uma angústia e uma pergunta: «Será que a pianista também vai emigrar»? O Bairro Alto festeja ainda o seu aniversário e, com esse gesto teimoso de festa, quer dizer que não morre.
José do Carmo Francisco
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Celebrar os 498 Anos do Bairro Alto
De 11 a 18 de Dezembro vai realizar-se a semana do Bairro com o seu ponto alto no dia 15 de Dezembro,do aniversário com Flash Mob às 19H na Praça do Camóes.
O programa completo está disponível para consulta em «diadobairroalto@blogspot.com» ou em «facebook.com/diadobairroalto» e arranca no dia 11-12-2011 com um concerto pela Orquestra do Conservatório Nacional. O mesmo Conservatório que integra a organização do evento – sem uma estrutura organizativa, sem orçamento e a funcionar num somatório de boas vontades. Juntam-se ideias de Associações (Comerciantes, Moradores e 25 de Abril), cafés (Luso e Frágil), o Clube Rio de Janeiro, estruturas camarárias (CML, Hemeroteca e Biblioteca Camões) e outras associações locais. Haverá Fado, Folclore, Exposições de Artes Plásticas e de Fotografia, visitas guiadas e muito convívio. Para nós festejar é preciso!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A AMBA-Associação de Moradores do Bairro Alto ultrapassou no passado mês de Novembro os 100 Associados e mostra o seu crescimento e força .Estamos todos de Parabens e venham os 200 associados para muito breve
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Jornal Correio da Manhã - 31 de Outubro de 2011
Embora seja uma acção positiva, consideramos uma constatação do óbvio, leia mais aqui.
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http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/policia-cerca-bairro-alto-na-noite-de-sabado
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"HÁ CONSUMO EXCESSIVO DE ÁLCOOL": Maria Dantier, Subcomissária da PSPCorreio da Manhã - Porquê esta operação no Bairro Alto?Maria Dantier - Porque é uma zona de diversão nocturna onde afluem milhares de pessoas e é palco de alguns ilícitos criminais, como os furtos e roubos com recurso a armas.- É uma zona problemática?- É sensível. É uma zona histórica, ruas estreitas, elevada concentração de bares onde o consumo de álcool é manifestamente excessivo, tornando as pessoas em alvos fáceis.- Controlaram algum ponto em especial do Bairro Alto?- Sim, os que consideramos mais sensíveis. Como a entrada e saída de pessoas das lojas de conveniência, que compram cervejas de litro em garrafas de vidro, que podem ser utilizadas como armas.
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| © Correio da Manhã |
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/policia-cerca-bairro-alto-na-noite-de-sabado
sábado, 29 de outubro de 2011
Assembleia de Moradores - 18 Outubro 2011
Realizou-se na passada Terça-Feira, 18 de Outubro do corrente ano, a Assembleia de Moradores do Bairro Alto onde foi aprovada, por unanimidade, a moção "Bairro Alto 2012 - por um Bairro habitável".
Foi efectuado um levantamento e elaboraram-se propostas que julgamos cruciais para a resolução de diversos problemas que o Bairro Alto atravessa, englobados em quatro âmbitos:
- moção "Bairro Alto 2011 - por um Bairro habitável" - download aqui;
- apresentação da moção - download aqui;
Foi efectuado um levantamento e elaboraram-se propostas que julgamos cruciais para a resolução de diversos problemas que o Bairro Alto atravessa, englobados em quatro âmbitos:
- Salubridade;
- Segurança;
- Mobilidade;
- Ruído;
Houve unanimidade na percepção de que o "consumo e venda de bebidas alcoólicas na via pública, constitui uma prática que potencia negativamente os quatro pontos acima descritos".
Pedem os Moradores do Bairro Alto, como medida emblemática entre outras de elevada importância, que se legisle e/ou se regulamente o consumo, circulação e venda de bebidas alcoólicas na via pública, num perímetro em redor do Bairro Alto, de forma semelhante ao que já se verifica nos recintos desportivos:
"Consideram assim, os residentes do Bairro Alto, que legislando proibitivamente e fiscalizando a venda, a circulação e o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, não só se favorecerá uma maior Salubridade, Segurança, Mobilidade e menor Ruído, como também o “comercio justo” e devidamente autorizado".
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Meu Bairro Alto
Meu Bairro Alto
Montagem de André Santos
Montagem de André Santos
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Rua da Misericórdia
Rua da Misericórdia
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não usa a bata nem o guarda-pó
nem vende drogas, miudezas e ferragens.
Vende sim sonhos em forma de tela colorida
seja o acrílico, o óleo, o pastel ou a aguarela
em paisagens povoadas por gente mais diversa.
Às vezes são grandes plantações de alfazema
ou são músicos em clubes nocturnos de jazz
ou ainda palhaços no intervalo das lágrimas.
Marta sabe; o Bairro Alto nasceu em 1513
um casal assinou a escritura num tabelião
e assim nasceu um bairro fora da muralha.
Algures entre São Roque e o azul do Tejo
passam por aqui os marujos e os calafates
e mais soldados para os navios da Índia.
Por aqui passaram os ardinas a correr
gritando notícias de primeira página
todos derreados pelas sacas dos jornais.
Hoje a desordem está mais massificada
garotos de 14 anos apanham bebedeiras
urinam as portas das casas e os automóveis.
Estudantes do Erasmus pegam em garotas
que deitam no tejadilho dos automóveis
dos moradores que sofrem desprevenidos.
Há gente a vender cerveja em garrafa na rua
a meninos que depois colocam a garrafa
junto ao pneu do carro já à espera do furo.
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não se enfada no calor das tardes
lembra as filhas, conhece o tempo e o lugar.
José do Carmo Francisco
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não usa a bata nem o guarda-pó
nem vende drogas, miudezas e ferragens.
Vende sim sonhos em forma de tela colorida
seja o acrílico, o óleo, o pastel ou a aguarela
em paisagens povoadas por gente mais diversa.
Às vezes são grandes plantações de alfazema
ou são músicos em clubes nocturnos de jazz
ou ainda palhaços no intervalo das lágrimas.
Marta sabe; o Bairro Alto nasceu em 1513
um casal assinou a escritura num tabelião
e assim nasceu um bairro fora da muralha.
Algures entre São Roque e o azul do Tejo
passam por aqui os marujos e os calafates
e mais soldados para os navios da Índia.
Por aqui passaram os ardinas a correr
gritando notícias de primeira página
todos derreados pelas sacas dos jornais.
Hoje a desordem está mais massificada
garotos de 14 anos apanham bebedeiras
urinam as portas das casas e os automóveis.
Estudantes do Erasmus pegam em garotas
que deitam no tejadilho dos automóveis
dos moradores que sofrem desprevenidos.
Há gente a vender cerveja em garrafa na rua
a meninos que depois colocam a garrafa
junto ao pneu do carro já à espera do furo.
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não se enfada no calor das tardes
lembra as filhas, conhece o tempo e o lugar.
José do Carmo Francisco
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